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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

S. Raimundo Branquinho avisa na Rádia NossaCasa: hoje tem festa literária na Boquinha

A nossa Pororoca Cultural Picoler começou na Comunidade Boquinha, zona rural de Teresina, capital do Estado do Piauí. Distante apenas trinta minutos de carro(cedido pela Secretaria Estadual de Educação), saindo da Casa do Cantador, aonde a Trupe Cultura Viva (Edson Alves, Mestre Cardoso, Rita de Cácia,Laila Caddah e Jonas Banhos) foi gentilmente acolhida por cantadores de repente, violeiros, cordelistas. Pense num lugar bacana é a Casa do Cantador, um clima bem interiorano, cheio de mangueiras, bambus, cantigas de pássaros, relinchar de cavalos e correrias de camalões para todo lado. Enfim, na Casa do Cantador, nos sentimos realmente na NossaCasa Amazônia, só que em pleno nordeste brasileiro.

Bem, voltemos à vivência na Comunidade Boquinha. Logo na chegada, já fomos calorasamente acolhidos por Mestre Raimundo Branquinho, sua simpática e generosa esposa, D. Luisa, e seus filhos e netos e mais um mestre do Divino Espírito Santo. Mestre Branquinho é uma pessoa muito especial, cheia de alegria, generosidade e sabedoria popular. Compartilhou conosco durante três dias as histórias vivenciadas por ele nos últimos 50 anos à beira do Rio Poti, na sua roça e nas diveersas festividades de Reisado que organiza e participa pelas comunidades vizinhas, levando consigo o Boi Estrela e seus brincantes.

Mestre Branquinho transformou sua residência num Centro de Cultura, com três belas malocas de chão batido, feitas por ele mesmo e seus filhos, usando somente materiais da própria natureza logo ali em frente. Tudo em perfeita harmonia com a cultura e a identidade local, mostrando-nos logo de cara que por ali a arte está em todo lugar. E foi exatamente embaixo de uma das malocas que montamos a NossaCasa de Cultura e Cidadania, nosso verdadeiro Circo Mágico da Leitura. Colorida, viva, repleta de livros do carrinho de Picoler para estimular a leitura com a galerinha da Escola que compareceu em peso, graças à empolgada Diretora Edi e demais professores. Também espalhamos por lá muitos brinquedos de miriti de Abaetetuba do Pará, instrumentos musicais artesanais feitos com frutos amazônicos, mas também dos andes bolivianos, a provocar a imaginação da criançada e dos adolescentes.



Ah, ia esquecendo, também o cineminha com filmes infantis da Mônica e cia., montado dentro de uma barraca, estava sempre muito concorrido; sem falar na Rádia NossaCasa Amazônia Livre, que não deixava ninguém desanimar diante de tantos talentos locais como a Orquestra de Percussão que toca triphop, funk; a poetinha a recitar belos poemas; o pequeno humorista de apenas 12 anos, que já arranca boas gargalhadas da galera; a professora contadora de histórias; a meninada que fazia teatrinho das leituras dos livros do Picoler. Enfim, muitos talentos desse Brasilzão escondido, distante da mídia grande, só esperando uma oportunidade para colocar para fora toda a potência de sua cultura, sua arte.



Foram muitos os momentos que marcaram a vivência da Trupe Cultura Viva na Comunidade Boquinha, como por exemplo, o encontro dos mestres Carodoso e Raimundo Branquinho. Ao longo do dia, mestre Cardoso do Boi Ouro Fino de Ourém do Pará, um parnaibano de nascença(há 57 anos longe de sua terra), alegremente apresentou sua história cheia de riqueza e entoou aos presentes suas toadas que falam do Rio Guamá, mas também do avião terrorista que derrubou as torres gêmeas de Nova York. E também, a apresentação, no cair da última noite, do Boi Estrela de Mestre Raimundo Branquinho, que resolveu inovar e convidar o Palhaço Ribeirinho da Trupe e seus palhacinhos (crianças dá própria comunidade)para brincarem juntos com os caretinhas. Da experimentação popular deu-se um belo resultado: tudo junto e misturado, acabou em muita alegria por todos os lados do Centro de Cultura.


E assim foi lá pelas bandas do Boquinha. Alegria, mística, espiritualidade, saberes, sabores, cheiros, fazeres e muitos dizeres. E, na quarta-feira, 10/11, finalzinho da tarde, era chegada a hora (triste, emocionante, mas, sempre, esperançosa de um breve regresso) da despedida. A Trupe precisava continuar sua mochilada cultural, em busca do Piauí escondido, belo, diverso, rico em cultura popular. E assim foi que partimos pela estrada de chão que liga Boquinha à Comunidade Usina, seguindo rumo ao nosso próximo destino: Campo Maior. Mas, certos de que ali deixamos um pedacinho de cada um integrante da Trupe e muit@s amig@s, amantes da leitura de mundo e da cultura popular. Além disso, ficou uma certeza: estávamos tod@s felizes de ter ido lá e com um gostinho e a esperança de que vamos retornar em breve àquela comunidade, que a partir de agora, também é a NossaCasa.


Para essa experiência piloto no Piauí, a Trupe conta com o apoio logístico da: Secretaria Estadual de Educação; Coordenação do Mais Cultura no Piauí; Casa do Cantador(Teresina); Print Collor; Ponto de Cultura Nossa Gente, Nosso Talento(Campo Maior); e de agitadores culturais locais das comunidades que estão sendo visitadas. Para acompanhar a Pororoca Cultural Picoler, clique em uma das imagens e vivencie conosco esta bela viagem.

Paz e bem para todos nós, sempre!!!
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Um comentário:

  1. Compartilho email recebida de Francisca Borges de Carvalho - Diretora da Escola da COmunidade Boquinha, em 11 de novembro de 2010 09:17

    assunto: adorei vcs


    Que maravilha o trabalho de vcs. Fiquei encantada com a disposição de todos. Tenho certeza que só poderemos cumprir o que determina a LDB em relação a formação de cidadãos efetivos , quando formos capazes de oferecer-lhes uma educação integral e isso implica, também, reconhecer-se como indivíduo com identidade cultural, e isso só é possível, aproximando-os dos povos de cada um.


    abraçosss

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