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sábado, 12 de junho de 2010

Carta Tuxáua

Tuxáua é um termo que varia de uma tribo a outra, na história, na cultura, na sociabilidade, nas relações que se constituíram e que se constroem. A função de Tuxáua sofreu modificações fundamentais com o advento da frente extrativista da seringa. Tendo nos últimos anos o termo caindo em desuso em algumas aldeias, e o significado mais freqüente que lhe foi dado (em algumas aldeias) é o de capataz e está sempre associado à idéia de um preposto do patrão, quando da relação da exploração de seringueiras e dos trabalhos dos demais indígenas. Porém Tuxáua, também é sinônimo de Cacique, é autoridade máxima da tribo, é quem resolve conflitos, convoca reuniões, marca festas e rituais, orienta as atividades agrícolas, manda construir casas, hospeda visitantes. E tal liderança do Tuxáua caracteriza-se pela forma consensual como é exercida. O chefe, cacique, pajé ou tuxáua, é uma das lideranças que contribui para a ordenação e a harmonização da vida cotidiana na aldeia, especialmente no que concerne às questões ligadas à subsistência. O chefe é antes de tudo um articulador das intenções do grupo e coordenador das atividades para a execução das tarefas cotidianas. Ele tem que conviver e administrar as outras instâncias de liderança que, via de regra co-existem nas aldeias. O termo “Tuxáua” remete, para algumas etnias indígenas, à figura do articulador e mobilizador, e é neste sentido que tal palavra surge a tona dentro do Cultura Viva.
Entende-se por mobilização e articulação as ações que reúnam representantes de diversos Pontos de Cultura, redes sociais e iniciativas de atividades que promovam o fortalecimento de laços e somem esforços na construção de objetivos comuns. São redes o conjunto ou segmento de ações sociais, culturais e artísticas que se reconheçam como afins e colaborem entre si.
Construir a rede significa criar uma maior proximidade dos Pontos de Cultura, trocar experiências culturais, estéticas, sociais, fazer uma gestão compartilhada, empoderar e fortalecer ações e sujeitos que trabalham o despertar de diversas manifestações culturais e linguagens artísticas, cada qual em sua especialidade e que possam trocar, estender e disseminar ações dentro e fora do Programa Cultura Viva. Nesta rede, existe o exercício da convivência, da expressão, da delimitação de seu espaço e do respeito para com o espaço do outro. Em meio a esta mistura aparentemente desorganizada, são realizados debates, trocas e discussões bastante pertinentes. Temos um foco organizador, mas o caos não deixa de existir, o que é fundamental para que pulse a nossa originalidade e energia. Construir a partir do caos, sem que o caos deixe de pulsar. Certamente, por sua natureza, tem condições de fazer ecoar reflexões, práticas e renovações nos aspectos mais sutis das políticas culturais do Brasil.
Somos Tuxáuas, somo articuladores e mobilizadores culturais, e somos mediadores de conflitos, somos civis, somos cidadãos, somos pessoas físicas e metafísicas, quânticas e holísticas. O reconhecimento do prêmio Tuxáua, conferido pelo Ministério da Cultura, através da aprovação de nossos projetos, reconhece em nós estes valores e qualidades o que ratifica o nosso fazer juntos as mais variadas comunidades culturais deste imenso país. Fortalece a sociedade civil na busca pela garantia do diálogo e pela convivência entre os diferentes, possibilitando superações de desigualdades, prevalecendo a diversidade cultural. Desenvolvemos e criamos durante anos; a partir de uma práxis com as comunidades, com as quais trabalhamos; uma tecnologia social que possibilita e facilita o encontro, a disseminação e a troca de saberes, experiências e conhecimentos entre pessoas e os mais variados grupos sócio-culturais.
Iremos expandir para demais pessoas, grupos, coletivos e movimentos culturais e artísticos, alguns dos princípios e ideais do Programa Cultura Viva, bem como: empoderamento social, autonomia e protagonismo social; como também: gestão compartilhada, cultura em rede, sustentabilidade, movimento, interação estética, cultura viva, economia solidária, escola viva, mestres e matrizes, ludicidade, cultura de paz, cultura digital e software livre.
Claro que cada projeto focando mais um ou outro conceito, além de outros mais que tangenciam e transversalizam a cultura.
Assim como os Pontos de Cultura não são espaços culturais feitos pelo governo para as comunidades, pelo contrário: são ações desenvolvidas pela comunidade que ganham o reconhecimento do Estado e passam a receber aporte de recursos para aplicar conforme o plano de trabalho composto pela própria comunidade, assim também são os Tuxáuas. Não temos um modelo único, nem de programação, nem de atividade, cada Tuxáua é próprio da identidade daquele coletivo pelo qual elaborou o projeto a partir das ações que já se realiza, por isso vem enquanto Prêmio, pois premia articuladores e mobilizadores que já atuam. E sejam estes coletivos redes regionais, ou redes temáticas, ou então às vezes ambas. Além disso, outra comparação na mesma lógica dos Pontos de Cultura é que se há Pontos de Cultura mesmo os não conveniados, desta forma, através desta proposta, pode-se defender de que há Tuxáuas, mesmo os não premiados. Não deve haver, portanto, tratamento desigual hierárquico para Tuxáuas, os “parabéns” pelo Prêmio deve ser pelo fato de enviar uma proposta de projeto, e este ser contemplado, mas não necessariamente super-valorizar as pessoas premiadas. Afinal, Tuxáua é líder porque tem o dom da generosidade, do entendimento, da humildade, e da paz.
Entendemos que quem deveria indicar quem é Pontão de Cultura, sendo referência para articular os Pontos de Cultura, deveriam ser os próprios Pontos, a partir das articulações e mobilizações que os Pontos passam a exercer na rede, aí sim seria representativo. Assim também devemos nós, Tuxáuas, ser. Vir da indicação a partir do público no qual já atuamos, e deixar isto claro no Edital pelo qual nos dispomos a concorrer. Uma vez que se é via Edital Público, que então os Pontões e Tuxáuas contemplados atuem bastante próximos dos Pontos, e façam as atividades de seus projetos na lógica participativa, colaborativa e solidária com demais pessoas, grupos, coletivos e movimentos culturais e artísticos, pois o Tuxáua não exerce seu trabalho centralizando, e sim distribuindo poderes e possibilidades. Pensando assim é que Pontões e Tuxáuas devem vincular cada vez mais seus projetos durante a realização de seus trabalhos, garantindo maior articulação da rede de Pontos de Cultura.
A cultura e a arte são as matérias primordiais que utilizamos para o processo de transformação social e quebra de paradigmas sociais e educacionais. Utilizamos as mais variadas formas de interlocução e comunicação com o objetivo de propagar, fomentar, e difundir como pilar fundamental na sociedade, a cultura e a convivência de paz, assim como a diversidade cultural, e o respeito entre os mais diversos grupos sociais e culturais da sociedade brasileira.
Posto isso tudo, reconhecendo o trabalho estratégico que representa ser um Tuxáua na comunidade, acreditamos ser fundamental transformar o prêmio Tuxáua, em uma ação de governo, que possibilite a continuidade dos processos de articulação e mobilização entre os Pontos e Pontões de Cultura, assim como entre os contemplados dos diversos prêmios do Programa Cultura Viva.
Dar, receber e retribuir
Tuxáua é movimento...

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Como Tuxáua, seguimos nossa mochilada cultural Brasil afora.

Quando decidi dedicar minha vida a servir os mais excluíd@s, escolhi fazer aquilo que sempre gostei: cultura. Não sabia exatamente o que fazer, afinal não era um artista, mas sim um servidor público. Então resolvi ler, pesquisar, pensar, viajar, divagar, relaxar.

Fui visitando e conhecendo experiências culturais de sucesso Brasil e mundo afora. Depois, fucei dentro do Governo Federal o que tinha de legal no campo cultural e descobri o Programa Cultura Viva, os Pontos de Cultura, a Arca das Letras, os Telecentros. Aí, consegui enxergar uma luzinha no fim do túnel...

Simplesmente, deu na telha de juntar tudo isso e mais alguma coisa que surgisse em um único lugar, na NossaCasa de Cultura e Cidadania. E, então, tentar fazer isso com e para os povos e comunidades tradicionais, que no meu sentir são os mais excluíd@s da sociedade. E, justamente eles, que vivem no meio das florestas, na beira de rios, igarapés, lagos, mares. Mantendo uma relação harmoniosa com a mãe natureza, cuidando dela, preservando-a na grande maioria dos casos. Mantendo modos de vida tradicionais, culturas populares, que vêm passando de geração em geração, desde os povos originários, os indígenas, depois os escravos e seus remanescentes quilombolas, ribeirinhos, pescadores artesanais, agroextrativistas, castanheiros.

Pouco mais de dois anos de dedicação, muito amor, trabalho intenso, trocas solidárias de saberes, muitas viagens ao interior da Amazônia e ao centro do Brasil. Depois de inúmeros embates com (des)governantes do Amapá, alguns nãos e muitos sim de pessoas em geral, no dia 7 de junho de 2010, recebo a notícia da adorável Bruxa Catarina Ribeiro, do Ponto de Cultura A Bruxa tá Solta, de Roraima, de que nosso trabalho tinha, finalmente, sido renconhecido nacionalmente por meio do Prêmio Tuxáua 2010 do Ministério da Cultura. "Ufa, que maravilha!!!" disse-lhe, ao pulos de alegria, comemorando juntamente com minha fiel escudeira, a voluntária e ativista cultural do Movimento NossaCasa, Rita de Cácia!!!

Puxa, é uma alegria ver todo o esforço reconhecido, além de nos dar mais força, recursos e a certeza de que estamos trilhando um caminho, dentre muitos possíveis, bacana. Ser reconhecido como Tuxáua dá-me mais ânimo para continuar vivenciando, diariamente, valores apreendidos com meus pais, avós, ti@s sábi@s viventes na floresta: como justiça social, honestidade, transparência, retidão, solidariedade, paciência, compaixão, comunhão, amor, união, paz, participação, desobediência e resistência civil.

Toda a mobilização e articulação para tirar as comunidades ribeirinhas/tradicionais da Amazônia do anonimato, do esquecimento, da invisibilidade vem surtindo efeito. Ainda falta muito, claro, mas já é um bom início, em tão pouco tempo. Conseguimos, a contragosto dos donos do poder no Amapá, pressionar e levar políticas públicas culturais para nossos povos e comunidades tradicionais.

Somos prova viva de que falta interesse político de nossos opressores em fazer as coisas acontecerem na Amazônia. Querem nos manter isolados, sem comunicação, sem acesso a políticas públicas mais básicas, porque assim é mais fácil de dominar e permanecer no poder, utilizando-se de recursos como compra de voto, assistencialismo, demagogia, promessas nunca cumpridas. Mas, nós, povos e comunidades tradicionais, continuamos vivos, e, por isso mesmo, nos mantemos atentos, ligados, e vamos continuar resistindo, exercendo e estimulando o controle sócio-cultural. E, tudo do nosso jeito amazônida simples de ser. Livres e unid@s!!!

Afinal, "essa ciranda não é minha só. Ela é de todos nós. Ela é de todos nós.", como bem nos ensina Capiba. Assim, continuamos nossa caminhada, mochilas nas costas, alegres e esperançosos, seguindo os ensinamentos de nossos ancestrais. Pelos rios e florestas gritamos ainda mais alto em nossa Rádi@ Megafônic@ NossaCas@ Amazôni@ Livre: "E viva a Cultura Viva deste Brasilzão diverso e lindo. Queremos muito Mais Cultura."

Tuxúa somos, por natureza!!!

Hino dos Pontos de Cultura por Jorge Mautner

Os Pontos de Cultura
somos todos nós
na enlaçante amizade magnética
abraçados em rede cibernética
irradiando, comunicando, absorvendo, interagindo
com iteligência emocional
toda a informação que vai surgindo
imaginação, coletiva e individual
das sabedorias e universos das diversidades culturais
do Brasil-Universal!!!
Ideologia do coração que recomenda
Ecologia também é distribuição de renda
é uma teia que desencadeia
a gloriosa emoção
de fazer acontecer a Segunda Abolição
dos direitos humanos em ação
na atitude da inclusão de todos em plenitude
da diferença na igualdade que é irmã da liberdade
por todo Brasil, por toda parte
desobediência civil, em forma de arte!!!

Jorge Mautner, é poeta, filósofo e músico, visitou mais de 50 Pontos de Cultura no Brasil.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Seja bem vind@!!!

Que os cantos dos pássaros, o sussurar dos rios e mares, a força de nossa ancestralidade e de noss@s deuses e deusas, santos e orixás possam iluminar nossa caminhada que re-começa a partir de agora.


Caminhamos amorosamente em busca da construção de uma sociedade mais justa para tod@s, mas sobretudo para os mais excluíd@s de nosso sociedade: as comunidades e povos tradicionais. Buscamos a melhoria de vida para nossas comunidades por meio da cultura, da Cultura Viva. Lutamos por Mais Cultura em nossas comunidades porque acreditamos que esta é a melhor forma de melhorarmos alegremente a qualidade de vida de nossas comunidades.


Queremos unir Pontos de Cultura, conveniados com o Ministério da Cultura ou não, de norte a sul, do Oiapoque ao Chuí.