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segunda-feira, 23 de julho de 2012

MochileiroTuxaua leva leitura, encantamento e alegria para o Encontro de Culturas Tradicionais

Mochileiro Tuxaua leva Barca das Letras para o Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, na Vila de São Jorge, no município de Alto Paraíso no Goiás. A intervenção ocorreu na Aldeia Multiétnica na tarde do dia 21 de julho de 2012. Participaram da vivência crianças indígenas e não indígenas, de todas as idades, tamanhos, línguas, cores e etnias, que por lá estavam, juntas e misturadas.

Clique nas fotos abaixo e veja como foi a brincadeira, a festa pela leitura e cultura vivas:



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Abaixo, reportagem extraída do site oficial do Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros:


Festa na Aldeia

Dia na Aldeia proporciona intercâmbio cultural

Leitura, humor e rituais indígenas foram as grandes atrações da Aldeia Multiétnica no sábado, 21
Vanessa Martins
Em 22/07/2012, 15:24
Anne Vilela

Os Guarani apresentam cantos que falam sobre a preservação da cultura indígena
Primeiro dia no espaço indígena reservado do Encontro foi marcado pelo grande número de cantos e danças dos diversos povos presentes e aumento do número de curiosos e visitantes interessados. A grande diversidade de etnias presente na VI Aldeia Multiétnica permitiu que todo o sábado se resumisse em uma grande festa, já que quase todas os grupos fizeram uma demonstração de sua cultura dentro da geodésica de bambu montada no local.

Chico Simões

Ao final da manhã, os mais beneficiados foram aqueles que gostam de humor. Bonecos, palhaçadas, mágica e brincadeiras são as especialidades do artista Chico Simões, que se apresentou sob a estrutura geodésica. Trabalhando com o riso há 27 anos, ele conta que procura não separar o humor dos adultos do humor das crianças. A estratégia funcionou, pois pessoas de todas as idades se juntaram em volta dele para dar boas gargalhadas.
“Quando eu termino sempre tem mais gente do que quando começou, acho que é porque o pessoal gosta”, afirma Chico. Com temáticas variadas, mas sempre homenageando as figuras do cangaceiro e do boiadeiro, ele se apresenta em festivais, festas, feiras, “até em velório eu já me apresentei”, conta.
Anne Vilela

Chico Simões chama a atenção das crianças com truques de mágica

Cultura Indígena

Através das danças, músicas e rituais, os povos indígenas compartilharam o patrimônio imaterial com todos os “parentes” - como chamam outras etnias - e visitantes. O primeiro a dividir sua cultura musical foi Shaneihu, único Yawanawá presente. Sendo o violão um instrumento incorporado recentemente às manifestações de seu povo, o representante usou-o como acompanhamento para entoar os cantos de sua aldeia, convidando todos os presentes a participar, ensinando-os as letras e explicando o que significavam.
“Imagine que todos na aldeia estão desanimados e alguém chama para uma boa caçada” a partir daí, Shaneihu perguntava e o público, em roda, respondia.
Em seguida, os descendentes dos Inca, Purik, colocaram suas vestes coloridas e cheias de penas, apanharam a kena, que é uma flauta de bambu, o sampunha, conjunto de várias flautas em duas fileiras, e o toyo - mesmo instrumento, porém maior – para embalar a dança das mulheres do grupo.
As moças usam uma saia preta alta sobre uma bata branca, ambas enfeitadas com os bordados coloridos e com padrões geométricos, observados em todas as artes do grupo. Por vezes, a dança, que tem movimentos delicados de braço, era realçada por um xale colorido, que dava ainda mais vida ao ritual. Segundo Diego, um dos representantes da etnia, a música e a dança apresentadas são em agradecimento e exaltação do sol e da mãe terra, chamada Intyrami. 
Os Avá-Guarani também marcaram presença na festa apresentando a dança da guerra e um canto em coral que fala sobre a importância de manter a cultura indígena sempre viva. “Cantamos sobre continuar com os costumes do povo como era antigamente, falando de sempre ensinar as crianças para não deixar a cultura morrer”, conta Loransaxamú, representante dos Guarani. Usando um violão, tambores e pequenos bastões de madeira, eles faziam a base da melodia que embalava os cantos. Também mostraram o canto Ningarai, que alivia o corpo de tudo que é ruim, purificando os participantes do ritual.

Barca das Letras

Em meio ao som dos Guarani, chegou à VI Aldeia Multiétnica uma van abarrotada de livros, lona e brinquedos, encantando crianças e adultos. A chegada da Barca das Letras causou grande alvoroço entre os que estavam ali. Ao ver todos aqueles livros, brinquedos e almofadas, as crianças vibraram. O projeto foi criado em 2008, no Amapá, pelo quilombola Jonas Banhos, também conhecido como Palhaço Ribeirinho, do quilombo Conceição do Macacoari.

Ele recolhe doações de livros, revistas, gibis e todo tipo de material de leitura para realizar visitas a comunidades tradicionais, como quilombos, aldeias e eventos como o Encontro de Culturas, proporcionando um ambiente divertido em que o público consiga ler e brincar. Em seguida, todo o material de leitura é doado à comunidade.

“Faço esse trabalho com o objetivo de incentivar a leitura, o conhecimento e associar tudo isso ao entretenimento, a uma grande brincadeira. Já levei esse projeto a comunidades quilombolas e ribeirinhas de várias partes do país, como a raposa Serra do Sol, em Roraima”, comenta Jonas.

Rituais

Aos poucos, passava a exaltação causada pela Barca. Descentralizando o evento, os Fulni-ô se apresentaram logo em frente aos portões de entrada com cantos altos e fortes, que são característicos de seu povo. Um dos visitantes entrou na dança e participou junto com a etnia, com chocalhos e cantos. O representante Keno explica que os rituais representados são uma forma de agradecimento a Deus e a todos que tornaram possível a presença deles no evento. “Temos sempre que agradecer, principalmente a Deus. Também pedimos força e proteção à ele para termos saúde, conseguirmos comida...”, comentou Keno.
Um passo típico de diversos rituais Fulni-ô é formar uma fila de pessoas enquanto um par de cada vez vai à frente de mãos dadas. Keno explica que esse passo é importante para mostrar a igualdade entre as pessoas. “Mesmo em culturas diferentes, as pessoas são iguais. Tinha um branco dançando com a gente e ele era igual a todos nós, vou levar ele conosco”, brinca o índio bem humorado.
Após as 17 horas, o líder dos Krahô, Akaboru, convidou, mais uma vez, uma por uma das etnias para que levassem parte do seu conhecimento cultural até os outros “parentes” e visitantes, através da dança e da música. Dessa vez, os Fulni-ô foram os primeiros, apresentando cantos e danças muito semelhantes às anteriores, com os mesmos cantos e passos, sempre agradecendo a Deus e à oportunidade.
Dessa vez os Xavante também se juntaram à festa sob a estrutura de bambu. Desde o início, eles convidaram todos os interessados a participar do ritual, chamado de Wanaridobe, que é uma das etapas da iniciação dos adolescentes da etnia. “Os danhoviwa (padrinhos) recebem os wapté (adolescentes) no povo”, explica Marculino, representante da etnia.
Para o ritual, todos deram as mãos em um grande circulo, onde cantavam e batiam os pés com força no chão. De repente, começaram uma brincadeira em que uma pessoa saía da roda para gritar e bater palmas, depois tentava entrar novamente no círculo, divertindo a todos.
A Tribo do Arco-Íris é formada por não índios que têm uma forte ligação com a terra e acreditam descender de uma tribo universal que tem membros espalhados por todo o mundo. Eles também estavam presentes durante a grande reunião, cantando sobre amor e alegria com todos os presentes, puxados pela líder Mãe da Lua.
Para encerrar os rituais, os Yawalapiti fizeram a apresentação com as takuaras. O instrumento é tocado pelos homens, que são seguidos, cada um por uma mulher ou criança. As takuaras são como grandes flautas, feitas a partir de um cano que é preenchido com bambus finos e apitos. O som do instrumento também varia de acordo com a inclinação, podendo ser mais grave ou mais agudo.
Anne Vilela
Os Yawalapiti se apresentam com a takuara, flauta utilizada em diversos rituais da etnia
Depois de jantar, recolher os artesanatos à venda e assistir ao fim do dia chegando, as etnias presentes na Aldeia puderam desfrutar de uma sessão de cinema. A mostra Panorama da Imagem Indígena, que se insere na programação do CENTROÉcine, teve como atração da noite o longa Pirinop, dirigido por Mari Corrêa e Karané Ikpeng, um documentário que conta o outro lado da fundação do Parque Nacional do Xingu, com depoimentos dos Ikpeng sobre o primeiro contato com o branco. E assim, a Aldeia adormeceu sob o céu estrelado.