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domingo, 29 de janeiro de 2012

Juventude, o Palhaçao Ribeirinho e a NossaCasa de Cultura da Amazônia no FST 2012

Aí a reportagem feita pelo Felipe Prestes, durante nossa intervenção no Fórum Social Temático 2012, cujo tema foi Crise Capitalista, Justiça Social, Justiça Ambiental. Foi publicada originalmente em

www.sul21.com.br


e replicada em:

http://www.fstematico2012.org.br/index.php?link=23&acao=Ver&id=241


Juventude, o Palhaço Ribeirinho e a Nossa Casa de Cultura da Amazônia
Felipe Prestes
Uma infinidade de barracas se acomoda à sombra do arvoredo no Parque da Harmonia. É de manhã. Jovens dormem, discutem o ensino técnico, esperam na fila dos banheiros, fazem uma batucada arrastada. Grupos uniformizados saem para uma passeata aqui, uma reunião acolá. Cantam gritos de ordem, entregam panfletos. Grupos diferentes interagem, divulgam suas ideias, seus eventos.
No meio de uma plenária de estudantes, ouve-se o som de uma batucada que vai se aproximando. É um grupo pequeno que carrega bandeiras pretas com a inscrição “Morte ao Capitalismo”. Dentre eles, um senhor de seus 50 anos, mas com ar jovial, pede a palavra e convida os estudantes para discutir “preparativos para sair do capitalismo”. “Já temos ações concretas”, ele revela.
No meio deste cenário, se destacam novelos, varais e fitas que expõem objetos e fotos da Amazônia. Um tipo bonachão, de feições nortistas e provocador se destaca, com uma cartola excêntrica na cabeça, pendurando toda aquela parafernália sozinho, entre as árvores do parque e um galpão, e angariando ajuda dos estudantes que estão aguardando o início de sua reunião.
Toma o megafone da mão de um estudante e começa a Rádio Nossa Casa. Com uma mão segura o megafone, com a outra filma a si mesmo, com uma pequena câmera digital. Faz entrevistas com os jovens, a maioria integrantes do PSOL, arrancando risadas e também faz algumas provocações.
– Partido é parte, não é todo, gente. Partido quer poder, cargos.
No Acampamento da Juventude se recebe muitos panfletos. E alguns deles vão parar no chão.
– Como é que vamos cobrar do agronegócio se estamos fazendo isso com a Mãe? Coerência – questiona o amazônico, mas depois descontrai. – Gente, eu não sou sempre chato assim. Eu estou representando.
Pela “rádio”, descobrimos que o amapaense Jonas Banhos, 39 anos, transformou o espaço entre o galpão, as árvores e os varais na Nossa Casa de Cultura da Amazônia. Auditor tributário do governo do Distrito Federal, há três anos descobriu uma nova vocação. Além do trabalho burocrático, se tornou o Palhaço Ribeirinho.
O objetivo do projeto Mochileiro Tuxauá – Do Oiapoque ao Chuí é incentivar a leitura em comunidades tradicionais, quilombolas ou indígenas. Chega nas localidades e monta todo o seu aparato. Leva roupas de palhaço, espalha livros pelo chão, dá o livro para quem se interessar, faz uma “rádio” com megafone. “Há necessidade de nossos irmãos serem leitores. Mas leitores críticos e propositivos. E isto só vem com muita leitura”, explica.
Banhos já levou o projeto para comunidades no Amapá, Pará, Roraima e Piauí mas, como o próprio nome do projeto diz ,o objetivo é expandir para outras comunidades em todo o país. “Estou procurando alguma aqui no Rio Grande do Sul”, conta. Isto será possível porque o projeto foi premiado pelo programa Cultura Viva do governo federal, no valor de R$ 50 mil. “Eu ainda pago do meu bolso. O prêmio saiu em 2009, recebi só em 2011, e comeram R$ 15 mil em impostos. Mas é este dinheiro que vai permitir ir para todo o Brasil”.
Ao todo, Jonas deve passar por 16 comunidades. Ele tem procurado levar mestres da cultura popular consigo. Um cacique, por exemplo, vai até uma comunidade quilombola e conta suas histórias. O público-alvo é sempre as crianças. “As crianças estão abertas. Elas querem carinho, querem ouvir histórias. O adulto já te olha de cara feia, já tem outros interesses, fica te julgando. Querem saber de que partido você é para saber se devem gostar de você ou não”.
A partidos, Jonas não é muito chegado. Nem a políticos que tentam capitalizar com seu trabalho: acha falta de respeito. E também gosta de provocações bem-humoradas.
– Chego aqui eu tiro logo foto – disse, fotografando duas moças que olhavam as fotos expostas, que mostram os trabalhos já realizados por Jonas – Estou aqui para responder o que vocês quiserem. Mas gosto mesmo é de perguntar.
Mas o que mais quer, na verdade, é explicar para as pessoas o projeto e ver se o multiplica. As duas jovens, por fim, acabaram sentadas em uma roda com ele no galpão, com outros dois acampados que já arrebanhara para ajudá-lo, onde conversaram por horas a fio. Sobre as provocações, explica: “Se abandonam nossas comunidades, por que eu não posso dizer umas verdades? Você viu quantos dos ‘militantes’ vieram me ajudar. É muito blá, blá, blá”.
Quando usa “nossas comunidades” não é modo de dizer. Sua família é oriunda da comunidade ribeirinha de Conceição do Rio Macacoari, no Amapá, que se tornou quilombo em 2005. Descendentes de africanos vivem por ali há cerca de duzentos anos. “Nem existia o Amapá. Ainda era Grão-Pará. Eu não esqueço minhas origens”.
Andarilho, nasceu e viveu até os dez anos em Macapá. Depois passou por Fortaleza e Goiânia, antes de viver em Brasília. Mochileiro sempre foi, mas palhaço e ator nunca tinha sido. “Eu nasci (como ator) neste projeto. Nunca tinha feito nada antes. Para pessoas que dizem admirar meu trabalho, eu digo: ‘Se descubra. Comece em uma comunidade perto de sua casa. Você só vai aprender se sair de casa e for para o mundo’”.
O objetivo maior do incentivo à leitura, segundo Banhos, é que com a leitura as comunidades das florestas possam elaborar políticas públicas que não apenas as já oferecidas pelos governos. “Não precisamos de assistencialismo. Se nos deixarem em paz, a gente sabe viver da floresta. Não queremos celular, carro, mas queremos evoluir, ter acesso à educação, saúde, o nosso barco a motor. Mas a gente não quer barragem, agronegócio”.
Fonte: www.sul21.com.br

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